A dolina ocorre ao sul de uma região conhecida como Província Serrana, que é uma unidade geomorfológica de relevos serranos alongados e dobrados, moldados em rochas carbonáticas e siliciclásticas. Essa região se estende desde de Cáceres até Paranatinga, passando por Nobres e Rosário Oeste, formando um arco com convexidade para noroeste, facilmente identificado nas imagens de satélite.
Além da dolina, outras feições cársticas significativas na forma de cavernas, lápies, grutas, locas, sumidouros e ressurgências ocorrem na região. O fenômeno da ressurgência, por exemplo, ocorre no rio Salobra no distrito de Bom Jardim em Nobres, local de vários atrativos turísticos.
As rochas calcárias e dolomíticas, abundantes na região, são explotadas para a produção de corretivo de solos, brita, cal e cimento.
A caminho da dolina a partir de Cáceres, serras com afloramentos rochosos dominam a paisagem (fotos abaixo). Essas paisagens também são observadas da rodovia BR-070 próximo a Cáceres, especialmente na região da serra do Mangaval (fotos abaixo).
De Cuiabá a Cáceres são cerca de 218 Km. Da área urbana de Cáceres até a sede da pousada da dolina são cerca de 20 Km, sendo cerca de 8 Km de estrada não pavimentada (ver mapa abaixo).
A pousada oferece restaurante, banheiros, piscina e hospedagem. O custo para fazer a trilha até o lago da dolina é de R$ 15,00 por pessoa. Para fazer a trilha e mergulhar no lago por duas horas é R$ 60,00 por pessoa (dezembro de 2019), com direito a coletes salva-vidas, caiaques e "stand up paddle". O almoço é R$ 30 para quem paga o mergulho no lago.
Da pousada até o início da descida da dolina são cerca de 830 m e o translado dos visitantes é feito pelo proprietário num trator. A descida da dolina é de baixa dificuldade, facilitada por uma escada de madeira ao longo de todo o trajeto.
Explore o mapa abaixo para conhecer mais detalhes das trilha e os locais descritos ao longo do blog. Os ícones apontam fotos e detalhes do trajeto. Os dados vetoriais do mapa podem ser baixados (formato KML) e utilizados em aplicativos de celular com GPS como o "My Maps" do Google:
Legenda: ícones azuis com símbolo de foto: detalhes da trilha, cortes de estrada e paisagens com fotos; ícones verdes com símbolo de mina: mineração de dolomito; ícone amarelo com a letra P: estacionamento; ícone laranja com símbolo trilha: início da descida da dolina.
Detalhes da pousada Dolina Água Milagrosa, 28/12/2019.
Detalhes da trilha
Dolina Água Milagrosa
A dolina Água Milagrosa localiza-se ao norte da Serra do Quilombo, uma serra alongada (cerca de 82 Km de extensão) e dobrada, uma anticlinal modelada em rochas carbonáticas (dolomitos com intercalações subordinadas de arenitos, siltitos e argilitos calcíferos com níveis de sílex, concreções silicosas e brechas dolomíticas).
De acordo com o dono da pousada o fundo da dolina não é conhecido, mas mergulhadores chegaram até próximo de 200 m de profundidade. O nível da água oscila em vários metros para baixo na época seca e para cima na época chuvosa, podendo a dolina ser uma área de recarga (entrada) ou de descarga (saída) de água subterrânea.
Início da descida da dolina, 28/12/2019.
As 2 fotos acima: detalhes da trilha, descida da dolina, 28/12/2019.
As 4 fotos acima: detalhes da descida da trilha, 28/12/2019.
As 2 fotos acima: feições cársticas com espeleotemas (estalactites) próximo à cavidade (caverna) no horizonte da foto, 28/12/2019.
Feições cársticas com falhas abundantes na rocha, 28/12/2019.
As 3 fotos acima: detalhes do mergulho no lago com profundidade desconhecida, 28/12/2019.
A caminho da dolina, já no trecho de estrada de terra, a sul e a leste do local da dolina, as serras Ponta do Morro e Morro se destacam na paisagem (fotos abaixo). Estas apresentam relevo serrano alongado e dobrado em anticlinal, com topos aguçados e abundantes entalhes associados aos regimes fluvial e pluvial, moldados em rochas sedimentares (arenito, siltito, arcóseo, argilito e conglomerado), estas sobrepostas às rochas carbonáticas.
Serra Ponta do Morro
As 4 fotos acima: detalhes da Serra Ponta do Morro com afloramentos rochosos dissecados, 28/12/2019.
Serra Morro
Vista da Serra Morro a caminho da dolina Água Milagrosa. Os afloramentos rochosos são dolomitos, 28/12/2019.
Mineração
Na região próxima a Cáceres, pela rodovia BR-070, observar-se, aproximadamente ao centro da Serra do Quilombo, pedreira de calcário dolomítico para produção de corretivo de solos e brita (foto abaixo).
Detalhes do talude de mina a céu aberto de calcário dolomítico na Serra do Quilombo, 28/12/2019.
Serra do Mangaval
A serra do Mangaval está cerca de 38 Km da área urbana de Cáceres, sentido Cáceres-Cuiabá. Ela se destaca pelos afloramentos rochosos nos cortes de estrada ao longo de um trecho de cerca de 6 Km pela rodovia BR-070. Observam-se arenitos, folhelho e siltitos brancos e róseos intercalando-se, estratificações plano-paralelo e cruzada com fraturas horizontais, e trechos basculados (fotos abaixo).
Fotos acima: Afloramentos rochosos nos cortes de estrada na rodovia BR-070. Notar os estratos de arenitos, folhelhos e siltitos intercalados, alternância de cores (branco a rósea), estratificação plano-paralela com fraturas horizontais, 28/12/2019.
Província Serrana
A BR-070 corta a parte sul da Província Serrana em Cáceres. A paisagem neste trecho é dominada pelos relevos serranos alongados com afloramentos rochosos, como as fotos abaixo:
As 2 fotos acima: vista da Serra da Campina. Os afloramentos rochosos são dolomitos da Formação Araras, 28/12/2019.
Morros com afloramento de rochas sedimentares da Formação Raizama, 28/12/2019.
Dicas
A água do lago é de temperatura agradável e límpida, sendo possível observar os peixes de fora da superfície da água, porém, deve-se evitar o uso de protetor solar e outras substâncias, pois pode afetar a qualidade da água e causar impacto ambiental.




























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