Na trilha pelo Arenito Vila Velha, observam-se afloramentos rochosos esculpidos pela ação de processos intempéricos e erosivos, formando muitas feições ruiniformes singulares, com destaque para a taça e o camelo (ver fotos e vídeo abaixo).
A região do parque localiza-se próximo ao limite de dois importantes compartimentos geológico-geomorfológico: o Cinturão Orogênico do Atlântico e a Bacia do Paraná (geológico); Primeiro e Segundo Planalto Paranaense (geomorfológico). A Escarpa Devoniana, um típico relevo de cuesta, é a feição natural que separa os dois compartimentos. O parque localiza-se no reverso da Escarpa Devoniana, na porção leste do Segundo Planalto Paranaense numa área conhecida como Campos Gerais do Paraná e dentro de uma unidade tectônica denominada Arco de Ponta Grossa.
Como chegar
A entrada do parque fica no km 515 da BR-376, no Município de Ponta Grossa, aproximadamente 110 Km de Curitiba. Há um estacionamento amplo para carros próximo à sede do parque. A sede possui boa infraestrutura com banheiros, refeitório, loja e painel interpretativo da geologia local.
Os passeios são acompanhados de guia e os ingressos, adquiridos na própria sede, custam em torno de R$ 30,00 (janeiro de 2019). A distância da sede do parque até o ponto de partida da trilha a pé do Arenito Vila Velha é em torno de 1 Km e um ônibus faz o translado dos visitantes até lá. Depois de lá o ônibus leva os visitantes às Furnas, cerca de 6 km dali.
Explore o mapa abaixo para conhecer mais detalhes da trilha e os locais descritos ao longo do blog. Os ícones apontam fotos e detalhes do trajeto. Os dados vetoriais do mapa podem ser baixados (formato do KML) e utilizados em aplicativos de celular com GPS como o "My Maps" do Google:
Legenda: ícones azuis com símbolo de foto: detalhes da trilha com fotos; ícone vermelho com símbolo de foto: a taça; ícones vermelhos e laranja com símbolo de explorador: grutas e a furna 1; ícone amaralo: início da trilha a pé; ícone verde com símbolo de esquilo: foto do esquilo visto na trilha; ícone beje: sede do parque.
Detalhes da sede do parque, 03/01/2019.
Painel interpretativo da geologia do Arenito Vila Velha e das Furnas, 03/01/2019.
Há cerca de 300 milhões de anos, no Período Carbonífero, quando a América do Sul, África, Antártica, Oceania e Índia eram agrupados compondo o grande continente Gondwana, uma mudança brusca nas condições paleoambientais na região ocorreu e se instalou um ambiente glacial. O Grupo Itararé (Arenito Vila Velha) foi formado neste ambiente. As areias destas rochas se depositaram por meio do movimento de geleiras das áreas mais altas para mais baixas e, quando derretiam, morenas se formavam (depósitos de sedimentos abandonados pela geleira derretida). As enxurradas formadas pelo derretimento das geleiras transportavam e depositavam as areias que formaram o Arenito Vila Velha em lagos glaciais.
O trajeto elíptico da trilha a pé é em tono de 2,5 km. Do ponto inicial até a taça, o ponto símbolo do parque, é em torno de 1 km (trilha do arenito). A grande maioria das feições ruiniformes do Arenito Vila Velha estão nesta primeira parte da trilha, em meio a vegetação mista predominantemente campestre. Da taça até o o fim da trilha (trilha do bosque), observa-se grutas formadas pelas fissuras das rochas em meio a vegetação mais densa (fotos abaixo). Todo o trajeto é de baixo nível de dificuldade.
Feições Ruiniformes dos Arenitos do Grupo Itararé ou Arenito Vila Velha
As feições ruiniformes do arenito Vila Velha são resultado do intemperismo, processos erosivos e zonas de fraqueza naturais da rocha (falhas, fraturas e cimentação diferenciada) que veem esculpindo a rocha desde 1,8 milhão de anos atrás. Entre as feições de relevo ruiniforme encontram-se caneluras, cones de dissolução, topos pontiagudos, torres e pilares das quais a Taça é a mais conhecida, hoje símbolo da região (fotos abaixo).
A cor avermelhada dos arenitos se deve a ação do óxido de ferro, que preenche os poros existentes cimentando a rocha. Camadas horizontais mais resistentes à erosão, revestida de material ferruginoso, contribui para a riqueza das formas encontradas.
Trilha do Arenito
Ponto de partida da trilha a pé, foto de julho de 1999.
Início da trilha a pé, instruções da guia, 03/01/2019.
Detalhes do início da trilha, 03/01/2019.
Nas 2 fotos acima observa-se o avançado processo de decomposição dos arenitos: presença de vegetação como árvores, bromélias, musgos e líquens juntamente com a ação de organismos, animais e o clima intensificam o intemperismo físico, químico e a erosão. Notar fraturas horizontais e verticais nas rochas.
Rocha com feição ruiniforme escamada, 03/01/2019.
Detalhes dos arenitos esculpidos nas 2 fotos acima. Notar sulcos formados pela ação da água, 03/01/2019.
Detalhe da trilha no intervalo de 20 anos. Foto acima de jul/1999 e a anterior de 03/01/2019.
Feições ruiniformes (forma de camelo): foto anterior de 03/01/2019 e foto acima de jul/1999, enquanto estudante da Unesp de Rio Claro, 20 anos atrás.
Detalhes das feições ruiniformes, 03/01/2019.
Feição escamada da rocha lembrando um casco de tartaruga, 03/01/2019.
Nas 2 fotos acima notar forma peculiar do arenito (torre) no horizonte das fotos. A foto acima é de jul/1999 e a anterior de 03/01/2019.
Os sulcos nas rochas à esquerda da foto podem ser testemunhos de paleocachoeiras. Notar a forma de "garrafa" no último sulco à esquerda da foto.
Detalhes dos arenitos esculpidos, 03/01/2019.
Detalhe do arenito em forma de torre no horizonte da foto, típico exemplo de erosão diferencial, 03/01/2019.
Detalhes da trilha no intervalo de 20 anos. A foto acima é de jul/1999 e a anterior de 01/03/2019.
Detalhes da trilha, 03/01/2019.
Detalhe da trilha no intervalo de 20 anos. Foto acima de jul/1999 e a anterior de 03/01/2019.
As fotos acima mostram várias formas peculiares dos arenitos. A foto acima é de jul/1999 e as 3 anteriores de 03/01/2019.
Detalhes do final da trilha do arenito, 03/01/2019.
A famosa taça símbolo do parque. Arenito ruiniforme em forma de torre, típico exemplo de erosão diferencial. O topo mais resistente aos processos intempéricos e à erosão do que a base do arenito resultado da cimentação diferenciada do óxido de ferro. Foto acima de jul/1999 e a anterior de 03/01/2019.
Vídeo da trilha do arenito (3:30 de duração), 03/01/2019.
Trilha do Bosque
Esquilo no coqueiro, 03/01/2019.
Fenda na rocha formando uma gruta, 03/01/2019.
As 3 fotos anteriores: fissura na rocha forma uma curiosa gruta, 03/01/2019.
As furnas do PEVV desenvolvem-se em rochas areníticas da Formação Furnas e, devido à dissolução dos minerais das rochas (cimento caulinítico), feições típicas de relevo cársticos são formadas (as maiores do Brasil em rochas não carbonáticas) como cavernas, dolinas, poços de dissolução e sumidouros.
Na na área do parque há 6 dolinas, estando duas em estágio terminal por estarem quase que totalmente preenchidas de sedimentos (exemplo: lagoa dourada). Com exceção de uma Furna (Furna 3), de fundo seco, todas as demais estão interconectadas pelo atual nível de água subterrânea, revelando ampla circulação subterrânea de água entre as Furnas, através de uma rede de fraturas no arenito.
Furnas: um tipo de “poços de desabamento” ou “dolinas de abatimento”, formadas pela queda do teto de grandes cavidades subterrâneas. As fotos são de julho de 1999. A foto acima e a anterior referem-se à furna 1.











































