sábado, 23 de março de 2019

Chapada dos Guimarães - Morro de São Jerônimo

    O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães oferece diversas opções de passeios em meio à natureza exuberante.

    Um dos roteiros mais radicais é a escalada do Morro de São Jerônimo, que é considerado o ponto mais elevado do parque, com cerca de 860 m de altitude. O topo do morro apresenta uma vista privilegiada da região e, dependendo das condições do tempo, será possível avistar as cidades de Cuiabá e Santo Antônio de Leverger. O morro de São Jerônimo está localizado próximo ao limite dos Municípios de Cuiabá e Chapada dos Guimarães.

    Ao longo da trilha descrita abaixo ocorrem afloramentos rochosos em meio à vegetação predominantemente de cerrado e as paisagens exuberantes destacam-se pela mudança abrupta do relevo e suas formas diversificadas.

Como chegar

    Partindo de Cuiabá até o início da trilha a pé são cerca de 47 Km.

    Ir pela rodovia BR 251, que liga o Município de Cuiabá ao Município de Chapada dos Guimarães. Após cerca de 18 km, pegar a saída para o distrito de Coxipó do Ouro (cerca de 800 metros antes do posto da polícia rodoviária) pela estrada Jurumirim.

    Seguir pela estada Jurumirim por cerca de 16,5 Km e virar à esquerda (navegar sobre mapa abaixo). Percorrer cerda de 11,5 Km até o ponto inicial da trilha a pé (ponto B do mapa abaixo). Haverá uma porteira, que deverá ser aberta pelo dono do sítio ao lado, que é um senhor simpático. Negociar com ele para deixar o carro estacionado no sítio (recomendado) ou na beira da estrada próximo à entrada da trilha.

    Navegue pelo mapa abaixo para visualizar os locais descrição acima. A linha azul refere-se ao trajeto de carro e a linha vermelha o trajeto a pé. Os ícones apontam fotos e detalhes do trajeto. Os dados vetoriais do mapa podem ser baixados (formato do KML) e utilizados em aplicativos de GPS no celular.


Mapa da trilha. Linha azul: trajeto de carro. Linha vermelha: trajeto a pé. Icones com textos e fotos do trajeto.

    É possível avistar o morro praticamente durante o trajeto de carro, conforme fotos abaixo:

Vista do Morro de São Jerônimo no horizonte (abril de 2014).



Nas fotos acima: detalhe do trajeto com vista do Morro de São Jerônimo sobre as escarpas dissecadas da Depressão Cuiabana modeladas em rochas metamórficas da Formação Cuiabá (fotos: abril de 2014).

Detalhes da trilha a pé

    Do ponto de partida da caminhada até o topo do morro são cerca de 9,4 Km. A trilha até o topo do Morro de São Jerônimo pode ser dividida em 4 partes:

  • 1ª Parte: Do ponto de partida até o sopé da escarpa (3 Km)
  • 2ª Parte: Subida da escarpa (2,1 Km)
  • 3ª Parte: Do topo da escarpa até o sopé do Morro de São Jerônimo (2,9 Km)
  • 4ª Parte: Escalada do Morro de São Jerônimo (1,3 Km)

1ª Parte: Do ponto de partida até o sopé da escarpa (3 Km)

    Do ponto de partida até o sopé da escarpa são cerda de 3 Km de caminhada. No primeiro quilometro do trajeto, a trilha é plana e bem marcada em meio à vegetação de cerrado mudando abruptamente  para uma vegetação de mata ciliar mais densa próximo a um curso d'água. Deste ponto até o sopé da escarpa, a trilha margeia este mesmo curso d'água, sendo preciso atravessá-lo algumas vezes. Na época seca, a vazão é menor podendo a travessia ser feita com facilidade. Abaixo algumas fotos deste trecho da trilha:

Início da trilha bem marcada com solo cascalhento em meio à vegetação de cerrado (abril de 2017).

Início da trilha com alguns pontos alagados (abril de 2014).

Vista do Morro de São Jerônimo no início da trilha (abril de 2014). 

Vista do Morro de São Jerônimo em trecho da trilha com vegetação de mata ciliar mais densa (abril de 2014).


Nas 2 fotos acima: travessia do curso d'água e rochas metamórficas do Grupo Cuiabá (abril de 2014 e 2018).

2ª Parte: Subida da escarpa (2,1 Km)

    A subida da escarpa é considerado o trecho mais difícil e pode exigir certo preparo físico. Além de ser a parte mais ingrime, a trilha é estreita em meio à densa vegetação de encosta desenvolvida nos solos férteis formados pelo intemperismo dos filitos do Grupo Cuiabá (ver fotos abaixo). São cerca de 2 Km de subida iniciando na cota de cerca de 330 m atingindo cerca de 660 m de altitude no topo da escarpa, conforme ilustrado abaixo:


Ilustração da trilha (linha amarela) até o topo do Morro de S. Jerônimo com a curva do perfil de elevação do trajeto. O trecho do círculo vermelho indica trecho escarpado de maior dificuldade

    Abaixo algumas fotos da subida da escarpa:

Detalhe de trecho estreito da trilha em meio à vegetação densa (abril de 2014).

Afloramento de rochas metassedimentares do Grupo Cuiabá (abril de 2018). 


Morro de São Jerônimo contrastando com densa vegetação de encosta (abril de 2018).

Vista da cidade de Cuiabá quase no topo da escarpa: contraste do relevo escarpado e a depressão cuiabana (abril de 2014).



Nas 2 fotos acima: Morro de São Jerônimo com sua forma de revelo tabular formado por rocha sedimentar (Formação Furnas) recobrindo as escarpas dissecadas da Depressão Cuiabana formados por rochas metamórficas dobradas do Grupo Cuiabá, marcando o limite entre duas unidades tectônicas: a borda noroeste da Bacia do Paraná e a Faixa Paraguai (fotos de abril de 2017 e 2018 respectivamente).


3ª Parte: Do topo da escarpa até o sopé do Morro de São Jerônimo (2,9 Km)

    Do topo da escarpa até o sopé do Morro de São Jerônimo são cerca de 2,9 Km. Antes de continuar a caminhada, porém, é bom aproveitar a "casa do Ibama" para uma parada e um lanche, conforme foto abaixo:

Local conhecido com "casa do Ibama", ideal para um descanso e um lanche (abril de 2017).


    A maior parte do trajeto é plano e de fácil acesso em meio à vegetação de cerrado (com alguns poucos trechos de mata de encosta mais densa), sendo comum deparar-se com espécies como pequizeiros (Caryocar brasiliense) e sempre-vivas (Eriocaulaceae), conforme fotos abaixo:


Detalhe da vegetação típica de cerrado. Espécie de sempre-viva (Eriocaulaceae) à esquerda da foto (abril de 2014).


Detalhe de exemplar de pequizeiro (Caryocar brasiliense) ao longo da trilha (abril de 2014).

    Este trecho da trilha também é caracterizado por belas estruturas ruiniformes formadas pela erosão dos arenitos da Formação Furnas. Os afloramentos exibem ainda estratificação sedimentar plano-paralela e fraturas verticais com frequente preenchimento de óxido de ferro e/ou manganês. Vejam algumas fotos abaixo:


Mesa de Pedra - estruturas ruiniformes nos arenitos da Formação Furnas (abril de 2017).






Se seguirmos no sentido oposto ao morro de S. Jerônimo, a trilha nos leva a outros atrativos do parque: Totem de Pedra, Casa de Pedra e Rota das Cachoeiras.






Nas fotos acima observam-se formas de erosão dos arenitos da Formação Furnas. Notar as feições ruiniformes com estratificação plano-paralela, as fraturas e as cores esbranquiçadas (fotos de abril de 2014 e 2018).

Contraste das formas de relevo escarpado dissecado com topos de formas aguçadas e a depressão (abril de 2018).



A foto acima é a ampliação das duas fotos anteriores destacando uma cicatriz de movimento de massa recente (fotos de abril de 2014)

Arenitos da Formação Furnas com estratificação plano-paralela e fraturas diversas (abril de 2014).
Arenitos da Formação Furnas em discordância angular com as rochas metassedimentares da Formação Cuiabá. A paisagem exuberante marca o limite noroeste da Bacia do Paraná e a Faixa Paraguai (abril de 2014).



As duas fotos acima destacam o contraste do relevo escarpado e a depressão. Notar o Morro de Santo Antônio (ou Morrinho) no horizonte das fotos, exemplo de inselberg na Depressão Cuiabana.


Morro de São Jerônimo e seus arenitos da Formação Furnas com estratificações plano-paralela bem marcadas.

4ª Parte: Escalada do Morro de São Jerônimo (1,3 Km)

    Do sopé do morro até o topo são cerca de 1,3 Km. A escalada não exige grandes esforços físicos, mas é preciso cuidado em alguns pontos, pois há risco real de queda. No geral, a escalada é de nível intermediário a difícil.

    Um particularidade do Morro de São Jerônimo é a ocorrência dos icnofósseis Skolithos piperocks, que a única ocorrência da Formação Furnas na Chapada dos Guimarães.

    No morro a vegetação caracteriza-se como Campo cerrado rupestre, pois não ultrapassa 1 m de altura e abrange, entre outras, famílias de bromélias e orquídeas.

    Algumas fotos abaixo da escalada e do topo:


Início da escalada do morro. A foto acima mostra Cuiabá (visada para SW) e a foto anterior mostra o lado oposto (visada para NE).






As fotos acima mostram momentos da escala e as belas paisagens. 

    Abaixo algumas fotos do topo no morro:




As fotos acima destacam as belas paisagens do topo do Morro de São Jerônimo (fotos de abril de 2014).



Foto acima: ampliação das duas fotos anteriores destacando a cachoeira.

Quando fazer a trilha?

    É recomendado fazer a trilha na estação seca, entre os meses de abril a outubro. A estação chuvosa deve ser evitada, pois chuvas volumosas rápidas podem causar enxurradas podendo provocar acidentes, especialmente nos pontos mais íngremes da trilha.

Que cuidados devo ter?

    A caminhada rumo ao topo do morro deve iniciar o mais cedo possível, pois a distância total da trilha a pé ida e volta são de cerca 19 Km. Como nos meses de seca os dias são mais curtos, pode escurecer antes de conseguir retornar ao ponto de partida. É importante fazer um planejamento prévio, pois caso haja a necessidade de caminhar na trilha a noite, é imprescindível levar lanternas e GPS com a função "track back" para não se perder na mata. Também, pode ser uma boa escolher o período de lua cheia (consultar o calendário lunar).

    Para a escalada do Morro de São Jerônimo é altamente recomendado a presença de um guia ou alguém que conheça a trilha, pois há risco real de queda em alguns pontos!

O que devo levar?

- Água
- Boné ou chapéu
- Perneiras (recomendado)
- Protetor solar
- Comida

Outras opções de roteiros

    Há várias agências de turismo na cidade de Chapada dos Guimarães que oferecem pacotes para o Morro de São Jerônimo, a maioria pela sede do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, que fica poucos quilômetros da cidade (cerca de 11 Km).

    O acesso ao morro pela sede do parque só será permitido com o acompanhamento de um guia turístico. O valor médio é R$ 120,00 por pessoa (valor em 2018).

Veja também:

Chapada dos Guimarães - rota das cachoeiras

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